contato@processitech.com.br | (41) 3049-6597 | 99768-5910

Para proteger e decorar

Presente no mezanino e muitas vezes ao longo das escadas no interior das residências, o guarda-corpo, também conhecido como parapeito, é mais do que um elemento decorativo. Ele é um dos principais itens de segurança dos projetos arquitetônicos, porque cria uma barreira física de proteção contra quedas e acidentes que possam ocorrer em função da diferença de altura entre os ambientes. Mas nem por isso a preo­cupação com a beleza é deixada de lado. Os guarda-corpos aliam segurança à questão estética e devem seguir o estilo de decoração proposta para cada residência.

Os projetos de guarda-corpo são feitos sob medida em materiais como o aço, ferro, inox, alumínio, madeira ou vidro, e podem ter desenhos ou formatos personalizados. A arquiteta e urbanista Sandra Lazzaretti explica que a escolha da matéria-prima está diretamente relacionada à proposta arquitetônica, ao ambiente onde será colocado e à segurança de quem frequenta o local. Além disso, a execução dessas proteções é regulamentada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), por meio da NBR 14.718 de 2008, que especifica as condições mínimas de resistência para que o guarda-corpo seja o mais seguro possível.

“O uso e o tipo de guarda-corpo são muito relativos. Internamente não se projeta guarda-corpo sem pensar em escada, a qual acumula um papel importante na decoração, podendo se transformar em uma verdadeira escultura. São inúmeras as opções de materiais para se executar a escada e o guarda-corpo, bem como os efeitos que essas escolhas proporcionam, como a leveza, transparência, um visual arrojado, discreto ou clássico”, diz Sandra.

Os projetos do escritório Elaine Zanon e Cláudia Machado Arqui­­­te­­­tos Associados costumam privilegiar desenhos bem elaborados para as escadas, quase sempre acompanhadas pelo espaço do mezanino, onde o guarda-corpo deve compor harmonicamente com o corrimão. “Gosto de trabalhar com linhas limpas, que não interfiram no desenho da escada, como as proporcionadas pelo uso do vidro, aço ou alumínio. Desta forma, o guarda-corpo, além de sua função estrutural e de segurança, funciona como um detalhe para o fechamento visual, sem interferir muito no projeto arquitetônico”, propõe a arquiteta Elaine Za­­­non.

Os guarda-corpos mais elaborados, com toques clássicos como os do estilo barroco e dos arabescos, encaixam-se melhor em projetos que seguem essa linha ornamentada e geralmente chamam bastante a atenção pelo porte decorativo. Elaine atenta para o fato de que o projeto deve sempre ser avaliado como um todo. “Normalmente, quando a pessoa escolhe o corrimão e o guarda-corpo, a casa ainda está vazia, em fase de construção. Mas é preciso ter em mente como o ambiente ficará com o mobiliário e a decoração completa. Se não for feita essa análise, o resultado final pode ficar comprometido e sem harmonia.”

Modelos

A arquiteta Fábia Teixeira, que presta serviços para a construtora Baggio, ressalta que uma estrutura só em vidro ou a combinação entre o vidro e outro material, como o aço, combina com projetos bem contemporâneos e dá a ideia de neutralidade, permitindo total visibilidade de ambiente para ambiente. “O vidro, principalmente o laminado, é um material bem seguro para ser utilizado como guarda-corpo. A espessura indicada é a de 10 milímetros, mais do que isso não é necessário. O vidro temperado, que suporta melhor a variação de temperatura, pode ser utilizado, com essa mesma espessura, mas internamente a preferência é pelo laminado. A única desvantagem em optar pelo vidro é quanto a limpeza e manutenção no dia a dia, que dá mais trabalho.”

Um guarda-corpo só em aço transmite a ideia de contemporaneidade, de linha clean e moderna, porém marcando mais presença na decoração do que somente o vidro. Esse modelo permite a variação entre hastes no formato tubular, retangular ou quadrado, além da composição com o vidro. “Antes de definir o modelo e formato, a primeira pergunta que costumo fazer para meus clientes é se eles têm crianças pequenas em casa ou se pretendem ter em breve. Nestes casos, uma boa opção é fazer toda a estrutura em vidro ou no modelo de barras, como o de aço, com no mínimo quatro hastes mais o passa-mão, ou até mesmo colocar uma tela de proteção. Seja qual for o caso, o mais importante é sempre respeitar a altura mínima, que é a de um metro”, alerta. Outra recomendação de Fábia é sempre seguir a mesma linha do corrimão e guarda-corpo internos também externamente, nas sacadas e varandas, seguindo uma linha arquitetônica em toda a construção.

Materiais

Os materiais utilizados para o guarda-corpo vão depender do gosto do morador e do resultado que se busca para o projeto. Nelson Hauari, gerente de produção da Metalúrgica Gusso, recomenda o alumínio, o aço inox, que pode ser escovado ou polido, e também o aço carbono, que se assemelha ao ferro fundido. Segundo ele, uma desvantagem do inox é que ele é um metal mais duro, a base de níquel, portanto mais difícil de forjar, podendo dificultar a formação de algumas dobras ou arabescos. O ferro, em contrapartida, é mais maleável e permite variações de formas. Há ainda a possibilidade de se aplicar pintura do tipo epóxi, que melhora a resistência à abrasão. Neste caso, as cores são mais específicas e sólidas, como o branco, preto e o marfim. Outra opção é a pintura automotiva, com resultado personalizado e, segundo Hauari, decorativamente mais bonito, como a cor prata que imita o inox, um tom de bronze ou de ouro velho.

Por se tratar de um produto personalizado, Miguel Soares, diretor da Artefatos Tempo de Viver, reforça a importância de o cliente ser bem assessorado no momento da compra, tanto pelo arquiteto quanto por empresas especializadas. “O que temos observado é que muitos clientes deixam de buscar ajuda dos profissionais da área de arquitetura quando vão construir, acreditando que economizarão. Mas acabam tendo vários inconvenientes e custos extras no término da obra que podem chegar em até 20% a mais do valor previsto. Baseados nesta necessidade, desenvolvemos consultoria e técnicas para execução do produto, que vão desde a venda até a instalação”, esclarece Soares.

Os orçamentos devem ser feitos sempre no local, para facilitar a identificação das necessidades técnicas e estéticas do trabalho a ser executado. Depois de escolhido o modelo, o consultor deve efetuar a conferência das medidas para identificar se é mesmo possível fazer a instalação. Soares explica que esse procedimento é importante porque nem sempre os modelos escolhidos podem ser executados, por motivos técnicos como detalhes de angulações, curvaturas, graus e outros que impedem a produção e fixação do produto. “Lembramos que a alvenaria deve de ser bem preparada para receber os revestimentos: mármores importados, porcelanatos, granitos, pisos de madeira maciços, laminados ou cerâmicos, que devem ser bem instalados, ou podem interferir diretamente na fixação do corrimão, implicando em maiores custos ou em recolocação dos revestimentos, gerando gastos extras.”

É preciso estar atento ao escolher a empresa que vai executar a estrutura do guarda-corpo ou corrimão. Mármores importados, por exemplo, exigem equipamentos apropriados para a instalação, que é feita com broca copo diamantada com água, para que o revestimento não se quebre.

 

Fonte: Gazeta do povo